A guerra

Título
A Guerra
Autores
José Jorge Letria e André Letria
Edição
Pato Lógico, 2018
Dimensões para a educação para a cidadania
educação para a defesa e a segurança; educação para a paz
Palavras-chave
medo; terror; vazio; culpados; inocentes; absurdo; repetição
ENQUADRAMENTO
Este livro não conta propriamente uma história. Se calhar isso é assim porque “A Guerra nunca foi capaz de contar histórias”. Em vez de uma história, parece ser uma espécie de lista. Uma lista de coisas más e difíceis.
A guerra fala de uma realidade: uma realidade que a maior parte de nós não conhece, mas que talvez alguém que conhecemos tenha vivido. Mostra essa realidade não só com palavras mas também com imagens. E com as poucas e tristes cores que se usam nestas páginas.
É preciso falar sobre a guerra porque ela existe desde sempre e dificilmente acabará um dia.
Na guerra ninguém ganha: há uns que perdem menos do que outros. Só isso.
Muitas vezes, quando acaba uma guerra, já ninguém se lembra do motivo por que começou. Isto porque as pessoas que decidem a guerra não são aquelas que a fazem e muito menos as que a vivem (no livro até consegues identificar estes três tipos de pessoas, se procurares bem).
Nestas páginas há imensos bichos. Não são exatamente animais domésticos ou exóticos, mas daqueles que normalmente nos fazem impressão, nojo, medo. E há armas, soldados, bombas e aviões que se parecem com esses bichos assustadores.
O livro começa silencioso durante algumas páginas, mas nem por isso é menos assustador. Diz-se que “uma imagem vale mais do que mil palavras”. E a guerra é como um imenso estrondo de silêncio.
PERGUNTAS PARA PENSAR
Há um pássaro nas primeiras páginas do livro. Depois desaparece? Porquê? Para onde foi?
“A Guerra toma a forma de todos os medos” — A página onde aparece esta frase está cheia de aranhas e centopeias. Para ti, que forma tomaria a guerra? Qual o teu maior medo?
“A Guerra é o silêncio” — Como, se na guerra há tanto barulho? Concordas com esta frase? O silêncio pode ser ensurdecedor? Em que situações é que o silêncio pode ser ensurdecedor?
Consegues imaginar razões para esta guerra ter começado? Quando o livro acaba, a guerra também já acabou?
Porque achas que o Jorge e o André (que são pai e filho e escreveram e ilustraram este livro) decidiram fazer um livro sobre uma coisa má?
Achas que os livros devem ser sempre sobre coisas de que gostamos ou sobre coisas coloridas e bonitas ou, pelos menos, ter um final feliz?
Parece-te que este livro é para crianças? Porquê?
“A Guerra nunca foi capaz de contar histórias” — A Guerra não destrói só pessoas e cidades, mas também destrói livros. Se tivesses de salvar um, qual escolherias?
EXPLORAÇÃO
Criação de novas páginas silenciosas (à semelhança das do livro) explorando as noções de repetição e ritmo
Tipo de exploração
expressão plástica
Material sugerido
batatas; x-ato; guache; chá ou café; pincel; lápis; papel
No livro há várias páginas silenciosas, sem palavras, uma espécie de separadores, só com elementos repetidos: páginas só com bombas, páginas só com soldados, páginas só com corpos a cair.
A proposta que te fazemos é que cries mais páginas-separadores como estas. É um exercício de repetição. A guerra é mesmo assim, torna tudo igual, tudo sem graça. Mas, no final, ficarás com mais algumas páginas-separadores, com significado especial para ti, para acrescentar a este livro.
1. Começa por discutir na tua turma que outros elementos podem simbolizar a guerra: capacetes, drones, balas, botas… Que outra forma pode ter o teu medo? Que outro elemento pode simbolizar o horror da guerra?
2. Escolhe um que seja forte para ti e desenha-o, mais ou menos com o tamanho de uma borracha; de seguida:
a) podes transformá-lo num carimbo, usando — com cuidado! — um x-ato e uma batata cortada ao meio: desenha com a ponta do x-ato sobre uma das metades da batata, fazendo com que a forma que definiste fique mais alta em relação ao resto da superfície
ou
b) podes copiá-lo usando um lápis e uma folha de papel vegetal
3. Repete-o muitas vezes, numa folha A3, escolhendo o ritmo que vais usar (mais separado ou mais afastado, mais alinhado ou mais confuso), utilizando o carimbo ou o lápis com o papel vegetal.
4. Como tinta para o carimbo podes usar guache; para pintares os desenhos, podes usar um pincel com café ou chá, misturando-lhes mais ou menos água para conseguires estes tons tristonhos que o André, que ilustrou este livro, usou. São muito tristes mas bem bonitos!