Oliver Button é uma menina

Título
Oliver Button é uma menina
Título original
Oliver Button is a Sissy
Autor
Tomie de Paola
Tradução
Carla Maia de Almeida
Edição
Kalandraka, 2020
Dimensões da educação para a cidadania
educação para os direitos humanos
Palavras-chave
estereótipos; preconceito; género; sofrimento do outro; o grupo como entidade; direito à diferença; riqueza na diferença; valor de cada um na sociedade; bullying
ENQUADRAMENTO
As pessoas são todas diferentes umas das outras. É fácil ver isso, basta olhar à nossa volta.
Há umas grandes, outras pequenas; umas gordas, outras magras; umas mais barulhentas, outras mais silenciosas. Há pessoas que gostam de fazer umas coisas e outras que gostam de fazer outras.
É verdade que a maioria dos meninos gosta de jogar futebol e que a maioria das meninas gosta de brincar às casinhas. Mas já não é verdade que todos os meninos gostem de jogar futebol e que todas as meninas gostem de brincar às casinhas. E, muito menos, que seja obrigatório um menino, porque é menino, gostar de futebol, tal como não é verdade que uma menina tenha de gostar de brincar às casinhas só porque é menina.
Dito assim, parece ter lógica; mas a verdade é que, muitas vezes, a lógica não tem nada a ver com a maneira como fazemos as coisas.
Há coisas que pensamos, achamos e fazemos quando estamos sozinhos, mas depois, quando estamos em grupo, não pensamos, achamos e fazemos da mesma maneira. O grupo é uma coisa estranha. Pode ser muito bom, forte e divertido; mas também mau, cobarde e muito antipático. E normalmente é assim porque as pessoas que o compõem têm medo ou não percebem qualquer coisa que é diferente do que conhecem. Em vez de tentarem compreender, aceitar a diferença e incluir, tomam a decisão errada e cobarde de atacar. Mas isto não é desculpa.
Oliver é um menino. Ninguém tem dúvidas sobre isso. Mas, embora seja apoiado pela mãe, é chateado brutalmente pelos seus colegas de escola e incompreendido pelo pai porque não age como é esperado.
Demorou algum tempo até que o Oliver fosse aceite (e mais que aceite!) pelos seu colegas tal como é. Levou algum tempo e muita tristeza: Oliver foi agredido, gozado e posto de parte demasiadas vezes. E bem sabes que não é preciso baterem-nos para nos sentirmos agredidos ou mesmo magoados, como se tivéssemos levado um murro na barriga.
Há coisas que são mais fáceis de escrever do que de dizer. Coisas más e coisas boas. Por não termos coragem para falar de viva voz, por vezes escondemo-nos atrás das letras.
Todos fazemos e dizemos asneiras que muitas vezes magoam outras pessoas. O bom é que podemos sempre tentar corrigir as asneiras que fizemos ou dissemos e fazer com que alguém que magoámos se sinta uma estrela!
PERGUNTAS PARA PENSAR
O que leva alguém a chatear o outro (como fazem com o Oliver)? Porque é que os colegas se sentem tão incomodados com o Oliver?
Será que, depois de dizerem aquelas coisas sobre o Oliver, os rapazes que o chatearam se sentem melhor? Será que se sentem pior?
E se, de um dia para o outro, decidíssemos em conjunto que afinal o cor-de-rosa é a cor dos meninos e o azul a cor das meninas?* Se resolvêssemos que só os meninos é que podem usar saias e vestidos e que as meninas só podem usar calças? O que aconteceria? Como nos comportaríamos?
Existem coisas reservadas só às meninas e coisas só para meninos? Tipos de brincadeiras? Cores? Sentimentos? Porquê?
Será que as coisas são mesmo de meninas ou de meninos?
O que define um e outro género (masculino e feminino)?
Porque temos dificuldade em aceitar meninos que gostam de “coisas de meninas” (brincar com bonecas, dançar, brincar às casinhas)? Será que temos a mesma dificuldade em aceitar meninas que gostam de “coisas de meninos”?
* Sabes que, quando inventaram esta divisão, era esta a distribuição das duas cores porque o rosa era mais forte?
EXPLORAÇÃO
Reinvenção e encenação da história, alterando o género da personagem principal
Tipo de exploração
expressão dramática
Material sugerido
papel; caneta ou lápis; adereços e figurinos para encenação
Em conjunto com os teus colegas, vais inventar uma nova versão da história de Oliver Button em que a personagem principal é uma menina chamada Olívia Button.
1. Com a ajuda do teu professor, forma com os teus colegas de turma grupos de cinco.
2. Agora, em grupo, constrói o guião da história da Olívia a partir da discussão destas perguntas:
a) A personagem principal desta história, Olívia Button, não gostava de coisas de menina. Que coisas eram essas?
b) Gostava de fazer coisas de meninos. Que coisas eram essas?
c) O que lhe dizia o pai?
d) O que lhe dizia a mãe? Tenta, como na história original, que eles tenham opiniões diferentes.
e) Os pais da Olívia inscreveram-na numa escola/actividade. Qual? Boxe, râguebi, parkour*?
f) O que disseram as meninas e os meninos, colegas da Olívia, quando souberam desta nova atividade? Escreveram nas paredes? Espalharam bilhetinhos pela escola? Aceitaram bem esta opção? Os meninos e as meninas reagiram da mesma maneira?
3. À medida que forem respondendo a estas perguntas, vão reinventado o Oliver Button. Se precisarem, vão apontando as ideias. No final, não se esqueçam de dar um título à história que criarem, um título que comece por “A Olívia Button é…”
4. Preparem uma pequena encenação** desta vossa versão da história para apresentarem à turma. Distribuam as personagens pelos elementos do grupo: Olívia, mãe, pai, outros adultos, colegas rapazes e colegas raparigas (a Olívia deve ser sempre representada pela mesma pessoa; os outros elementos podem representar mais do que uma personagem). Pensem num espaço para a apresentação, nos figurinos*** que podem usar, nos adereços**** de que precisam e no texto que cada um deve dizer.
5. Depois de apresentarem todos os trabalhos, pensem em conjunto na conversa que tiveram antes. Será que alguma coisa mudou na vossa opinião? Aceitamos da mesma maneira meninas que gostam de “coisas de menino” e meninos que gostam de “coisas de menina”?”